A importância da prevenção

A importância da prevenção

Ligado há alguns anos ao mercado do luto, atendendo empresas desse segmento – como cemitérios, crematórios e funerárias – me sinto na obrigação de escrever um artigo que retrate tudo o que tenho visto e que tem me chamado a atenção.

A principal delas é o natural despreparo com que somos levados a uma cerimônia de despedida de um ente querido. Em primeiro lugar, entendo que ninguém está psicologicamentepreparado para uma perda. Sabemos que somos finitos, mas não acreditamos que esse dia chegará.

Mais interessante é quando observamos indivíduos que, assim como eu, nunca sofreram uma perda de primeiro grau (de pessoas realmente próximas). A tendência, nestes casos, é imaginar a morte como algo para os outros, não para nós. Se eu não vivesse neste segmento, teria essa sensação de quase imortalidade. Essas coisas acontecem conosco, mas não agora.

Pois – e este é um recado para mim mesmo – elas acontecem, sim. Quantas pessoas saem de casa e não voltam. Gosto de uma frase que ouvi uma vez, de uma pessoa próxima a mim: sempre que saíres de casa, te despede com carinho, não sai brigado. Não sabemos se vamos voltar e se nos veremos novamente. Para morrer, basta estar vivo.

Embora clichê, é a mais pura verdade.

Pois aí vem o meu ponto: fazemos seguro do carro, mesmo tendo uma sinistralidade de 8% no Brasil – ou seja, temos o seguro e a consciência de que dificilmente iremos precisar. Fazemos planos de viagens, pagamos antecipado e muitas vezes sequer temos tempo de usufruir. Fazemos seguro da casa, para nos protegermos de roubos e incêndios que não queremos que aconteçam.

Por outro lado, mesmo sabendo que um dia vamos passar dessa para uma melhor e que isso pode acontecer a qualquer momento, não nos precavemos na grande maioria das vezes. O único seguro que se pode fazer SABENDO que será usado, poucas pessoas fazem.

Vejo pessoas chegando nos cemitérios e crematórios sem saber o que fazer, como fazer, sem dinheiro para uma digna homenagem (muitas vezes fazendo vaquinhas online). E o pior: vejo famílias brigando pela simples FALTA DE PLANEJAMENTO de algo que todos sabiam que iria acontecer – só não se sabia quando.

Dito isso, deixo para vocês uma sugestão: aproveite o dia de finados para pensar nisso. Não na morte, mas na homenagem que você gostaria de ter em sua cerimônia. Como você gostaria de ser lembrado? Deixe os seus familiares preocupados apenas em te homenagear, em lembrar de ti em vida. Não deixe essa herança penosa de ter que resolver o que fazer, quando você passar dessa fase para outra. Resolva tudo antes. Neste sábado, vá ao cemitério de sua cidade, homenageie os seus e se previna. Faça esse carinho para a sua família. Eu já fiz.

Saúde e prosperidade a todos.

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