A franqueza economiza tempo

A franqueza economiza tempo

O título deste artigo talvez seja uma das frases mais célebres e a que eu certamente mais cito de Jack Welch – ou simplesmente Jack, como ele gosta de ser chamado. Tive a oportunidade de ouvir e conversar com Jack em uma convenção na qual ele era o palestrante principal e eu o responsável pela abertura do evento.

Na ocasião, Welch discorreu apaixonadamente sobre o valor da franqueza — um tópico que examina demoradamente em sua obra Paixão por Vencer. “Para mim, a falta de franqueza é o segredinho mais sórdido do mundo dos negócios”, disse Jack, “ela impede o fluxo de ideias criativas, inviabiliza ações que exigem rapidez e não deixa que as pessoas contribuam com todo o potencial que têm a oferecer. Em suma, ela é fatal para os negócios”.

A falta de franqueza é particularmente nociva quando impede que os supervisores repassem a seus subordinados um feedback preciso em uma tentativa equivocada de parecer “simpático” a eles. “Aí vem a recessão… As pessoas são demitidas e se perguntam: — Por que eu? Descobrem, então, que seu chefe não estava satisfeito com elas, e então dizem: — Trabalhei 20 anos na empresa. Por que você não me disse isso antes?”, pondera Welch durante o debate.

Na GE, Welch sempre insistiu com os gerentes para que adotassem a filosofia de avaliar os funcionários e despedir os improdutivos — isto é, todo ano eles deveriam avaliar os empregados e despedir os 10% menos produtivos. Parece duro, mas Welch lembrou que todo o mundo é avaliado na escola. Há inclusive os que não passam de ano; outros até saem da escola. “Por que só as crianças recebem notas? Por que não dar nota aos adultos também?”, indagou, acrescentando que, para que o sistema funcione imparcialmente, é preciso que se baseie na franqueza. É imprescindível que os empregados sejam avaliados de modo franco, abrangente e periódico.

Uma relação honesta e, surpreendentemente, um clima de informalidade eram partes importantes da cultura corporativa construída por Welch na GE. Ele insistia em que as pessoas o chamassem de “Jack”, porque acreditava que isso as deixaria mais à vontade e, portanto, seriam mais honestas com ele.

Um dos maiores desafios das empresas hoje, e não somente dos gestores, é colocarem em prática essa economia de tempo gerada pela franqueza. O receio da mágoa, o receio de perder o emprego, a posição ou simplesmente a oportunidade de crescimento, acaba sendo fatal para as empresas e para os profissionais. Não existem empresas francas, existem pessoas que trabalham em uma empresa e que decidem ser francas ou não. Então, vamos nos perguntar: tenho sido efetivamente franco em todas as minhas interações?

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